 |
|
|
VISÃO RETRÔ, OU RETRÔ VISÃO Tem aquele filme o ‘Dia em Que a Terra Parou’ e, de tempos em tempos, é exatamente essa a sensação que se tem quando uma certa época gruda feito chiclete no inconsciente coletivo. No presente momento, estamos fixados nos anos 80. A moda vive um excesso de brilhobrilhobrilho, estampaestampaestampa, bolasbolasbolas como só a “década das peruas” poderia produzir. A tal nova economia.com, mesmo indo mal das pernas, produziu uma geração/tribo gananciosa, escovadinha e caretinha como só os yuppies ousam ser. No cinema, Matrix é o novo Blade Runner (ficção científica estilosa e maneirista vendida como profunda reflexão existencial). O nightclub mais próximo de você – seja hype, seja pop, seja brega – sempre tem sua noite 80’s. E, sonoplastia de cascavel das pulseiras de Sinhozinho Malta. Sou da opinião que nada disso é revival. Estou convencido de que as pessoas só agora entenderam realmente os anos 80, a década que nos deu de presentes ombreiras, indie rock, gel com glitter, princesa Diana, AIDS, Madonna, MTV e Xuxa! Gosto de lembrar dos 80 pós-new wave (aliás, naquele tempo tudo era ‘pós’), aquela coisa alternativa, rebelde, mezzo punk que a gente vivia (?) (eu não porque ainda me sinto novo, mas garanto que alguns amigos sim), em uma Cuiabá que era puro downtown. Mas havia sobretudo as festas de Menotti Griggi tempos lúgubre e maluquete aonde a geração se divertiu como nenhuma antes. Nossa versão muito particular e tupiniquim do Studio 54 (numa mesma noite viu-se tribos difundirem e o melhor viviam na mais santa paz. Pode?). Era uma inesquecível mistura de estilo e falta de, luxo e lixo, cerveja e champanhe. É desses anos 80, 90 que eu gosto de lembrar (isso tudo sobre a ‘visão retrô que tenho delas as amigas antigas, risos...), é a herança da década que vai ficar quando a gente olhar pelo retrovisor e decidir encarar, de uma vez por todas, o tal século XXI. Enquanto isso, aqui vai um coquetelzinho very, very 80’s e 90’s à guisa de ilustração da década que não quer mais ir embora: THE SMITHS: BANDA BRITÂNICA DE ROCK INDEPENDENTE QUE A GENTE AMA ATÉ HOJE, MINHA AMIGA ROSANA MUITO MAIS... CAZUZA: DESPIDO DO CLICHÊ DE “MAIOR POETA DE SUA GERAÇÃO” O RAPAZ ERA UM PORRE DE CHATO. VIÚVA PORCINA: LEGÍTIMO ÍCONE FASHION DA ÉPOCA. TANCREDO NEVES: NOSSO “QUASE” PRIMEIRO PRESIDENTE CIVIL EM MAIS DE UMA DÉCADA. VALE TUDO: MARIA DE FÁTIMA E ODETE ROITMAM TOGETHER, ALIVE IN CONCERT. BLITZ: MELHOR PRODUTO POP NACIONAL EM DÉCADAS. DO INESQUECÍVEL HIT “VOCÊ NÃO SOUBE ME AMAR”. NINA HAGEN: CANTORA ALEMÃ QUE MISTURAVA ROCK, PUNK BERTOLD BRECHT E NAMOROU O SUPLA. B52’S: BATIDA POP E VISUAL DE DESENHO ANIMADO. AZ: REVISTA DIRIGIDA POR JOYCE PASCOWITCH E EDITADA POR ANTONIO BIVAR. ESPÉCIE DE BÍBLIA NACIONAL DO ESTILO DA DÉCADA. INTERVIEW: TABLÓIDE DE ESTILO, MODA E GOSSIPS PARA O JET-SET. PRECURSSORA DE CARAS, MAS COM CÉREBRO, ATITUDE MUITO CHARME. LUIZA BRUNET: TOP MODEL. SEX SIMBOL BRASILEIRO POR EXCELÊNCIA DA DÉCADA. DALMA CALLADO, BETH LAGO, BETH PRADO E SILVIA PINTOR: TOP MODELS BRASILEIRAS TIPO EXPORTAÇÃO. FAVORITAS DE VALENTINO, THIERRY MUGLER, HELMULT NEWTON E JHON GALLIANO. XUXA: “RAINHA DOS BAIXINHOS” E A MAIS CINTILANTE ESTRELA DO SHOW BUSINESS NACIONAL. TINA TURNER: DEPOIS DE CAIR FORA DO CASMENTO RECHEADO DE PORRADAS, VIROU A “TIA” DO ROCK E O MAIS EXPLOSIVO PAR DE PERNAS DO PLANETA. E MEU AMIGO JOUBERT CODINOME TINA “POR ONDE ANDARA O SEU MACACÃO DE VINIL PRETO? OMBREIRAS: SEM ELAS A MODA DOS ANOS 80 NÃO EXISTIRIA. MADONNA: MATERIAL GIRL TRADUZIU OS VALORES “TERRENOS” DA ERA REAGAN. CINDY LAUPER: A PRIMA “POBRE E FEIA” DE MADONNA. BLADE RUNNER: SCI-FI DE RIDLEY SCOTT QUE INVENTOU A ESTÉTICA ANGULOSA E SOMBRIA DOS ANOS 80. YUPPIES: YOUNG URBAN PROFESSIONALS. UMA NOVA SIGLA, UM NOVO ESTILO DE VIDA, FATURAR US$ 1MILHÃO ANTES DOS 30 ANOS. VANIT FAIR: O MELHOR REGISTRO JORNALÍSTICO DOS ANOS 80. IVANA E DONALD TRUMP: CASAL 20 DALLAS E DINASTIA: SERIADOS DE TV QUE INVENTARAM “A CARA” DOS ANOS 80. COM MUITA OMBREIRA, LAQUÊ, PAETÊ, PETROLEO, CHAMPANHE E VENENO. CHANEL: “A GRIFE”. O EQUIVALENTE AO QUE HOJE SÃO GUCCI, DIOR E PRADA. AZZEDINE ALAÏA: DEUS É JUSTO, MAS AS CRIAÇÕES DO ESTILISTA BAIXINHO TUNISIANO ERAM MAIS JUSTAS AINDA. JAPONISMO COM O CASAL MINIMAL REI KAWAKUBO E YOHJI YAMAMOTO: O PRETO NUNCA MAIS SE CONTENTOU EM SER APENAS UM “PRETINHO BÁSICO” E KEIKO SAUDADES DA JAPONISTA AMIGA, BEIJOS... KATUMBA: DE JORGE EM; “QUEM ROUBOU AS MINHAS JOIAS DO MARANHÃO?”. JOSÉ AUGUSTO: O MELHOR DE TODOS OS COMENTÁRIOS, HISTÓRIAS E TEXTOS. TALITA DE LUCXOR: “OS DIAMANTES NÃO SÃO PARA COMER GATA!”. FAMILIA BEDIN: QUEM NÃO QUER FAZER PARTE DELA? COLAR DE CAROLINA: MINHA AMIGA QUERIDA A MULHER COM QUEM EU TERIA UM FILHO. ROSANA: “THE POWER OF LOVE”, CANTORA DE MAIOR SUCESSO ATÉ HOJE. E MINHA AMIGA BOMBRIL CUIABANA (ADVOGADA, DJ, BOA COZINHEIRA, ETC...) LUCIANO NASSYN: PIUÍ ABACAXI, UNI DUNI TÊ, HE-MAN O MELHOR DO TREM DA ALEGRIA. WANDA WALADARES: AS MELHORES REUNIÕES, A MELHOR COMIDA APESAR DE EU COMEÇAR A FREQUENTAR A MUITO POUCO TEMPO. CASA CUIABANA: MUITA COISA BACANA ACONTECEU LÁ, MAS SOU PROIBIDO DE FALAR, “AGORA SEI O QUE É ÉTICA, SEI? RISOS... QUADRA DE VOLEI DA FEDERAL: MUITAS NASCERAM LÁ, EU NASCI LÁ, MOMENTOS QUE NÃO VOLTAM MAIS (...). OFICINA 300: MEUS MELHORES MOMENTOS OU MELHOR DE MUITAS OUTRAS PESSOAS. LUÍS PITA: COSTUREIRO CUIABANO, HOJE VIVE EM SÃO PAULO E SE CHAMA LUIZ FERNANDES. “NÃO QUIS O NOME ENVOLVIDO EM ESCÂNDALOS IGUAL O EX-PREFEITO DO ESTADO/SP ONDE VIVE, RISOS”. MENOTTI GRIGGI: PROMOTER DE VÁRIAS DÉCADAS E HOJE DONO, JUNTO COM O SEU SÓCIO DA ÚNICA BOATE GLS DE CUIABÁ A: ZUMZUM BAR DISCO, E UM FUTURO E PRÓSPERO POLÍTICO. RISOS... ...LÊ BRITO... SEI QUE, PERANTE A DEUS SOMOS TODOS IGUAIS (?!?!) MAS ENQUANTO EU ESTIVER VIVA, PREFIRO MANTER AS DIFERENÇAS, RISOS... (André Lucca)
Escrito por azul da cor do céu às 15h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
ESTÉTICA SOCIAL PARA TODOS Por ocasião de minha última ida ao bairro Boa Esperança fui recebido maravilhosamente por uma delegação da Liga para o Eugenismo, cujo presidenta era precisamente uma bela jovem, senhorita Renata, que me foi logo dizendo: “– Não pense que nossa liga se limita à melhoria da raça humana. Queremos desenvolver o indivíduo depois do nascimento e dar-lhe, por assim dizer, perfeições físicas vitalícias. É por isso que é nossa intenção promover um grande desenvolvimento nesta nova ciência médica que chamam de ‘cirurgia social’. Seus progressos, que acompanhamos cuidadosamente, são já consideráveis. Com aquela decisão e aquela audácia que animam a jovem raça que o senhor veio estudar, nossos cirurgiões dão a seu ramo de atividade um novo impulso e uma finalidade cujas possibilidades não parecem ter sido ainda vislumbradas pelos médicos de vocês. É maravilhoso! Venha amanhã de manhã, às seis horas e um minuto, vou lhe mostrar nossas instalações, o estágio de nossos trabalhos, e o senhor poderá logo constatar os resultados satisfatórios que obtivemos.” A senhorita Renata, que era encantadora, me fez um leve sinal com a cabeça. A entrevista tinha terminado. Ela partiu, leve como uma libélula, enquanto de todas as partes, no suntuoso edifício, aumentavam as chamadas telefônicas... Fui pontual. A senhorita Renata me conduziu imediatamente ao que chamava de seu laboratório. Onde desenvolveu suas idéias sobre a melhoria da raça humana; em seguida, levou-me para dentro de um quarto onde se encontrava um belo jovem. “– Quero lhe apresentar o senhor Úrsula Vibe, – disse ela – que perdeu um braço num acidente de trem; nossos cirurgiões recolocaram o membro que lhe faltava. É um braço de macaco de que se modificou o aspecto esfolando-o pouco a pouco e substituindo sua pele, à medida da cicatrização por pedaços de pele tirados do próprio corpo do paciente. “Procede-se lentamente, pois são precisas grandes precauções para realizar bem esta operação, que não é nada se comparada com outra que ele suportou com uma coragem digna de elogios e que deu totalmente certo... Pode-se virar, por favor, prezado senhor Úrsula Vibe?” “– O senhor Vibe – disse a senhorita Renata – tem a sua profissão, é Drag Queen em uma grande boate noturna. Seus olhos normais nos pareceram insuficientes para cumprir uma função em que é preciso olhar para todos os lados ao mesmo tempo. Por isso nossos cirurgiões, cuja habilidade é surpreendente, deram-lhe três olhos novos. Aí está ele transformando em Argosª, e sua alegria é inigualável, pois um Drag Queen com cinco olhos pode exigir um salário bastante elevado.” Eu não sabia o que dizer, de tão espantado que estava; mas saímos para entrar em uma sala contígua e a senhorita Renata me declarou: “– Quero lhe apresentar o senhor Petilainne Queen, apresentador famoso de PiquiSkyCity - MT. Ele se casou e, num acesso de cólera, a senhora Queen lhe mordeu com tanta força o nariz que o cortou fora. “Foi-lhe recolocado um mais bonito que o primeiro e com muita propriedade recortado do lombo de um coelho, mas aproveitou-se, com seu consentimento, para lhe dar uma nova boca munida de todos os seus órgão. Não vou lhe dar detalhes desse trabalho delicado. O senhor Queen pode agora falar com as duas bocas ao mesmo tempo.” O senhor Queen deu uma volta e eu vi que no occipício, cuidadosamente raspado, uma boca se delineava. Ele se dispôs, por consideração pela senhorita Renata, a nos recitar simultaneamente dois poemas, e sua boca natural desfiou o começo do primeiro canto do Paraíso Perdido *, enquanto a nova, falando em francês, declamava, com um leve sotaque, a bela história de Terameno ª. Confesso que não conseguia voltar a mim. “– O senhor percebe, disse a senhorita Renata, a importância que pode ter uma segunda boca para um apresentador de boate: o senhor Queen, durante uma apresentação em boates, pode agora falar claramente, não apenas aos ouvintes que estiverem a sua frente, mas também aos que estiverem atrás dele. Não preciso insistir sobre as vantagens desse novo orifício.” “– Vocês tornam reais os mitos antigos, disse à senhorita Renata, depois de me despedir do senhor Queen: Argos, a Fama *...” “– E aqui temos Briareu ª, recomeçou a bela presidenta da Liga para o Eugenismo, fazendo-me entrar em um quarto onde vi um homem dotado de quatro braços. “O senhor Elza Brasil Hitchcock é hostess de boate, acrescentou; veio aqui voluntariamente e pediu que lhe colocássemos alguns braços, o que faria mais festeiro ainda do que já era para os festeiros que estão em sua lista V.I.P. (viados, impossibilitados de pagar). Como o senhor está vendo, nós o atendemos plenamente: ele tem uma força fora do comum e agora, com quatro braços, sendo um sobre o estômago e o outro entre os omoplatas, pode, sozinho, levar para dentro das festas quatro festeiros de uma só vez.” Desdobrei-me em felicitações e em seguida a senhorita Renata se despediu de mim dizendo que precisava assistir a uma operação nova e de uma extrema delicadeza. Tratava-se de um sábio famoso e dono de boate o senhor Griffe que, para melhor poder perscrutar a natureza alheia, pedia que lhe fossem enxertados olhos nas pontas dos dedos, olhos minúsculos, olhos de colibri, de modo que o poder tátil dos dedos não fosse diminiuído. Deixei o laboratório e, imediatamente, registrei por escrito os casos curiosos que tinha observado. Não resta dúvida que nossa época proporcionará a esses ‘esteticistas sociais’ a oportunidade de aplicar suas teorias da maneira mais imprevistas e mais útil para a espécie humana. ...LÊ BRITO... ___________________________________________________________ A. Argos, personagem da mitologia grega que tinha inumeráveis olhos, metade dos quais ficava acordado enquanto a outra metade dormia. *. Célebre poema do inglês Milton, de ares épicos, que conta a queda do primeiro homem e sua expulsão do Paraíso. A. Terameno é, na “Fedra” de Racine, o nome do tutor de Hipólito que relata ao pai deste, o rei de Atenas Teseu, a morte do jovem príncipe. Houve também, na política ateniense antiga, um Terameno, aristocrata moderado e amigo de Sócrates, que conspirou contra a democracia e foi um dos Trinta Tiranos, sendo acusado, ao final da vida, de traição e condenado a beber cicuta. *. A Fama, segundo representação da mitologia, era descrita como tendo muitas bocas... A. Briareu foi, na mitologia grega, um dos gigantes de cem braços que auxiliou os deuses olímpicos na luta contra os titãs que pretendiam tomar-lhes os céus.
Escrito por azul da cor do céu às 15h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
VOCÊ VULVA? EU FALO! Em presente programa de tv, depoimentos de mulheres na faixa dos 30 anos davam como causa de separação as diferenças de gosto entre as partes do casal: Enquanto ela aprecia a paisagem bucólica das montanhas, ele prefere divertir-se na praia, ela adora festas e ele odeia. Sem muito esforço, é possível multiplicar as possibilidades de divergências como essas: gostar ou não de cinema, de ar-condicionado, de visitas. Preferências que, na verdade, não são fundamentais para a vida de ninguém. O apaixonamento passa por cima de todos os gostos. É um impulso avassalador, que leva tudo de rodão, na ânsia de abraçar e se fundir com a outra pessoa. Mas a paixão tem vida limitada. Se duas pessoas querem criar uma história comum, precisam se amar. Amor é carinho, companheirismo, ternura, confiança mútua, divisão de tarefas, satisfação de estar junto, mútuo amparo e outras coisas desse jaez. O sexo da paixão explode na ânsia do entredevoramento; o sexo do amor surge do carinho, da ternura, do sentimento de gratidão. O ideal é que a paixão e o amor possam caminhar juntos. Sendo a paixão sentimento mais fugaz, a base de uma união estável só poderá ser o amor. Para quem um e outro sentimento convivam é preciso que a linha sinuosa do amor seja periodicamente invadida por picos de paixão. Céu claro do amor e céu tempestuoso da paixão. Choque cósmico de estrela espalhando brilhos fascinantes nos corações e luz mansa das auroras e vésperas enchendo as almas de calmas belezas. Se a paixão é irresistível, o amor está sujeito a temperaturas e temperamentos. No entanto, pesquisas têm demonstrado que, apesar dos pesares, casados vivem mais que solteiros ; as uniões estáveis permitem um maior relaxamento na presença de um parceiro amoroso, íntimo e confiável, facilitando a recuperação dos estress da vida. As mulheres que deram seus depoimentos no programa citado são realizadas social e financeiramente e podem escolher entre viver sozinhas ou ter companheiro. Mas o que as leva a decidir pela primeira opção? Por que dispensaram o companheiro por uma banal questão de gosto? Por que não tentaram resolver as divergências, ora satisfazendo o prazer de um, ora o do outro, ou, ainda, por que não tentaram conviver com elas, admitindo-se a possibilidade de que um fosse ao futebol enquanto o outro iria ao teatro? Tais iniciativas poderiam resolver a questão sem comprometer o básico da convivência. Mas não foi o que ocorreu. Por quê? A pergunta merece pelo menos duas respostas. Parace-me que por trás da teimosia em não abrir mão de um gosto estava a necessidade de afirmação da individualidade. Ceder ao desejo do outro seria como abdicar de si mesmo, da essência da própria personalidade, tornando a pessoa um capacho, um nada. A questão deixa de ser aquilo de que se gosta ou não e passa a ser a conservação ou não da própria essência pessoal. A segunda resposta está ligada à primeira. Estamos mergulhados em uma cultura individualista. O modo de criação dos filhos da geração que chega aos 30 anos foi o de não opor obstáculos aos que alguns procuram vencer o individualismo e lutam para aceitar as restrições às suas vontades. Alguns são bem-sucedidos enquanto outros se privam da delícia da íntima convivência amorosa. Não se trata aqui de afirmar que um modo de vida é melhor que o outro. Enquanto Tom Jobin (1927-1996) nos diz que “é impossível ser feliz sozinho”, outros dizem que amor é ilusão e só traz sofrimento. Cada um escolhe o caminho que quer e pode. Mas a maioria dos poetas catam o amor e lamenta sua perda. Algumas pessoas têm dificuldades em admitir obstáculos à realizações de seus desejos e, sem tolerar nem mesmo as pequenas divergências numa relação acabam optando pela vida de solteiro. O casamento exige que se conviva com os gostos do outro, ainda que sejam muito diferentes dos nossos. Para isso são necessárias maturidade e tolerância, além do amor.
...LÊ BRITO...
Escrito por azul da cor do céu às 13h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
REFLEXO(S) ALHEIO(S) ? “O bebê, de início, não é capaz de amar, apenas recebe o amor da mãe. Quando ele amadurece, aprende a compartilhar o sentimento. Alguns adultos, no entanto, continuam reproduzindo aquele amor de bebê: em vez de amar os parceiros, amam apenas o amor que eles lhe têm. Esse tipo de paixão, naturalmente, dura pouco. Por isso o amante imaturo se apaixona tantas vezes.” Algumas pessoas necessitam estar permanentemente apaixonadas. Elas se apaixonam, após algum tempo se decepcionam e então encontram uma nova paixão. Em seguida, começam TUDO NOVO DE NOVO. Por que tendem a repetir esse padrão? Tentarei expor aqui, de maneira simplificada, uma das várias hipóteses plausíveis: essas pessoas, na verdade não amam o outro, mas o sentimento que o outro dedica a elas; elas amam o amor. O outro é apenas o veículo desse amor. De todos os motivos que se tem para amar, que são muitos e complexos, esse é o mais ubíquo. Todos passamos por uma experiência de bebê na qual somos passivos, ainda incapazes de amar mas necessitando dos cuidados de uma mãe amorosa. É o amor da mãe que amamos em primeiro lugar. Estou falando de uma experiência primitiva que marca indelevelmente o sistema nervoso da criança. O bebê não ama; ele tem necessidades que serão atendidas se for amado pela mãe. Esse amor manifestado através da proteção, dos cuidados e da ternura faz com que, posteriormente, ele se apaixone perdidamente pela mãe. Mas seu primeiro contato não é com ela e sim com o amor que ela lhe dedica. É aí que se fixa traço selvagem do amor, traço que persevera mesmo no amor maduro. Na paixão adulta imatura é apenas o amor incondicional do outro que é amado, não se chegando a amar o outro em si. Nos primeiros tempos de idolatria, essa situação é até possível. Com o passar do tempo, no entanto, para além do amor do outro, surge o próprio outro, com a sua individualidade peculiar e, por isso mesmo invasiva. A ilusão do amor intransitivo então se desfaz. É hora de procurar uma nova ilusão em um novo parceiro. Um intenso sentimento de falta daquela relação inicial absoluta impele a pessoa a procurar outra paixão intransitiva a todo custo. A necessidade de recuperar o paraíso perdido é tão intensa que qualquer pessoa que minimamente estimule as fantasias de amor incondicional se torna imediatamente objeto de paixão. Não é possível nem dar um tempo para melhor conhecer o outro, saber se as personalidades são compatíveis. Basta que o desconhecido prometa amar sem restrições para a paixão ressurgir com toda a força. Ao fim de algumas decepções a pessoa poderá incorporar a vivência da impossibilidade de uma relação sem diferenças. A estabilidade alcançada no terceiro ou no quarto casamento, portanto, muitas vezes não se deve apenas ao encontro de alguém mais compatível, a uma escolha melhor, mas também a esse aprendizado da impossibilidade de uma relação incondicional, o que leva a uma maior aceitação das diferenças. Há alguns antídotos contra esse irrefreável desejo de encontrar outro amor abstrato toda vez que o parceiro começa a aparecer por trás de seu amor. Um deles é o direcionamento da paixão para a realizações pessoais e culturais. Podemos amar e nos sentir amados por qualquer coisa: futebol, coleção de selos, música, cavalos e, melhor, por nossa profissão. Outro antídoto é tentar romper as barreiras do amor abstrato, do amor ao amor, o que nada mais é que atingir um amor maduro. É uma dupla conquista, pois reconhecer o outro é também se reconhecer, podendo então prescindir do amor incondicional. ...LÊ BRITO... Eu sou um memorialista. Tudo é memória disse não sei quem. E por todos botecos e esquinas há canalhas em flor. Eles nos atropelam e nós os atropelamos.” (Nelson Rodrigues)
Escrito por azul da cor do céu às 13h21
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
ENQUANTO HÁ TEMPO? SALVE-SE! Um parceiro amoroso sabe quando o outro não está presente e isso independe de tê-lo fisicamente ao seu lado. O que ele percebe é uma paradoxal forma de ausência: o corpo comparece; a alma, não. A partir dessa constatação é comum que se repita uma sequência de fatos que se desemboca em muito sofrimento e em uma terrível quebra da confiança em si mesmo. É praticamente impossível precaver-se de uma situação como essa, mas aqueles que se conhecem bem podem minimizar os seus efeitos. Em geral, num primeiro momento, aquele que se sente abandonado teme explicitar a situação porque acha que isso pode levar embora de vez o ser amado. Com o passar do tempo, a certeza de que a qualidade do contato se esvai faz com que ele resolva se abrir. Seu pedido oculto é: “Diga-me que você não foi embora! Prove que meus olhos falham e que meu coração se engana”. O abandonado é o primeiro a revelar a situação porque sabe que o poder está nas mãos do abandonador, do qual se sente refém. A esperança de ser capaz de sair do tenebroso cativeiro é que o leva a jogar luz sobre o que se passa. Ao medo de perder seu amor se sobrepõe o medo de sucumbir à exclusão, essa espécie de “morte”. O abandonador, por sua vez sabe que tem as rédeas. Acusado de abandono, nega. Como pode ser ausente alguém que, afinal, “está lá”? Ele também se sente dividido, mas procura preservar a história “oficial”. O abandonado silencia por um período. Mas o tempo o castiga com a renovação de seus temores e ele insiste em chamar o parceiro ao contato. A negação persiste, não raro acompanhada de requintes como a inversão da situação e tentativas de minar a autoconfiança do parceiro. Este, então, vai buscar outras maneiras de aferir suas intuições: invade a caixa postal do celular e os e-mails do parceiro, faz vistoria na carteira e no extrato do cartão de crédito. Por fim, como se poder prever, identificar onde e com quem se encontra a alma dele. Sente-se mal por ter atravessado barreiras éticas, mas justifica seus atos como tentativas de salvaguardar o senso de saúde e integridade. Pensa assim: “Se ele não é ético comigo, então que se detone a ética entre nós e se instale a perversão; ao poder do sonegador, responderá o ‘legítimo’ poder do aviltado”. O próximo passo consiste em abandonado submeter o abandonador às evidências da traição. É possível que tente humilhá-lo para causar nele a mesma dor de que foi vítima. Porém, a pessoas assim, esquivas, a humilhação não faz nem cócegas. Os feitiço, então, acaba por voltar-se ao feiticeiro: o abandonado se sente responsável pela traição e se tortura por isso. O abandonador sai ileso e ele, aos frangalhos. O caráter “Nelson-rodrigueano” desse drama revela o quanto as pessoas envolvidas são marionetes nas mãos de seus próprios inconscientes. O autoconhecimento é o único antídoto capaz de proteger os envolvidos numa história assim. Permitirá àquele que trai que assuma seus atos e tenha coragem de encarar – e propor – o fim do relacionamento, e à vítima da traição que não se sinta culpada pelo próprio sofrimento e que preserve a confiança em si mesma. O conhecimento do outro, principalmente em seus aspectos ocultos e sombrios, também é importante. Ainda que doa, a decepção traz como benefício o descortinar dessas facetas. “ – O enredo é sempre igual: começa com mentiras do traidor, continua com suspeitas do traído e a ânsia de confirmá-las – o que inclui quebra da ética e invasão da privacidade – e termina com sofrimento. Em histórias assim, o autoconhecimento ajuda a vítima a preservar a confiança. A decepção, por sua vez, favorece o conhecimento do outro, que também é muito oportuno.”
....LÊ BRITO...
Escrito por azul da cor do céu às 13h09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
O CRÉDITO QUE NINGUÉM DEU Embora boa hora chegaram aqui os negros. Mas, por alguma eventualidade, se não pudéssemos ter contado com a herança africana dos nossos antepassados? O que teria sido do povo brasileiro apenas com índios e portugueses na raiz da árvore genealógica nacional? Difícil dizer, mas uma coisa é certa. Seríamos um povo menos profícuo. Também menos animado e... de pouca bunda. E todos sabem que, tristeza até se perdoa, mas ausência de bunda é defeito grave no Brasil. Que as patrulhas mal-humoradas reparem bem. Não é exagero. Quem nunca ouviu o comentário numa festa criticando os anatomicamente desafortunados neste particular? “É bonito, mas não tem bunda.” Crítica das mais comuns, geralmente, falada em tom de desterro, como se quisessem cassar o passaporte de brasileiro do podre. A frase “fulano desbundou” é outra evidência de sua importância na formação da identidade nacional. Usada no sentido de ausência de juízo, desbundar dá a entender que ficar sem bunda justifica até loucuras. Mais popular e cobiçada do que a razão, senão a palavra desajuizar seria mais usada que desbundar, e não é – a bunda no Brasil é tão querida quanto injustiçada. O culto do nosso povo às belas bundas as faz adoradas. Sonia Braga e Vera Fisher (a mulata loura) são bundas que atuam. Gretchen e Carla Perez são bundas cantoras. Agora, Sheila Carvalho é a única bunda do mundo que tem uma banda baiana só pra ela , ops não tem mais. Edson Celulari tem um bunda poderosa, que ganhou papel principal numa minissérie da Rede Globo. O desempenho dela em Dona Flor e Seus Dois Maridos, quando contou com ótima iluminação e texto de Jorge Amado, recebeu muitos elogios da crítica especializada. A sociedade no entanto sempre tem sentimentos contraditórios com o que a seduz. E bunda no dicionário também serve para definir coisa sem valor. Ela, por exemplo, tem culpa na instabilidade social nacional. Era esta a tese de um professor de história que preparava um bando de bundões como eu para o vestibular. Ele ensinava que a história política do Brasil podia ser entendida como uma história de golpes e contragolpes, logo de “pés na bunda”. Desde a passagem do Império para a República, dar um “pé na bunda” sempre foi o grande objetivo da política brasileira. E como o povo não ia ficar de fora desta, tratamos de ser a única nação a dar um “pé na bunda” num presidente, que, pra não passar por bunda mole, deixou a sua na reta até o final. As contribuições fundamentais da cultura negra à formação do povo e da cultura brasileira sempre foram celebradas entre os homens de bem. Mas a gente não poderia alimentar esta omissão injusta. Afinal, sem bunda qualquer brasileiro se sente menos brasileiro.
...LÊ BRITO...
Filosofia de anuuusss... de compreensão, risos... Sou cruel, meus irmãos? Mas eu digo: àquele que cai, deve-se, ainda, dar-lhe um empurrão! Tudo o que é de hoje - cai e decai: quem haveria de querer retê-lo! Mas eu - eu quero, ainda, dar-lhe um empurrão! Conheceis a volúpia que rola pedras às profundezas dos abismos? Esses homens de hoje, vede como rolam para as minhas profundezas! Um prelúdio sou eu para melhores executantes, meus irmãos! Sou um exemplo: obrai conforme o meu exemplo! E, a quem não vos ensine a voar - ensinar-lhe, vós, a cair mais depressa! (Friedrich W. Nietzsche)
Escrito por azul da cor do céu às 13h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
A vida não marca encontros – a gente tem que estar sempre pronto para ela Minha avó morava no interior de Rondônia, numa casa grande e feia, que tinha cheiro de gelatina de canela e naftalina. Na casa tinha uma sala de visitas onde nunca entrei. (Posso sentir aquele cheiro agora, quase nítido, enquanto digito, assim como guardo bem a visão da sala proibida.) Era o cômodo mais chique da casa. Dois sofás cor-de-rosa, sempre cobertos por lençóis brancos, um lustre colorido, uma samambaia ancestral no canto. A mesinha de centro tinha em cima várias dessas garrafas de cristal, trabalhadas, onde rico guarda o uísque em novela das 8, sabe? Entre a sala de visitas e a televisão – onde sentava-se os reles mortais, ou seja: nós – havia dois anjos de quase 1 metro de altura, que olhavam um para o outro com aquela cara de anjo, meio bocejando, meio nem aí. Seguravam uma vela amarela cada um. De noite, se tinha que beber água na cozinha, eu passava pelos anjos sem olhar, petrificado. Nunca tive tanto medo de alguma coisa como daquelas estátuas, quase do meu tamanho. Eram os guardiões do paraíso (a sala de visitas), impedindo a entrada das almas impuras. E por eles não passavam netos, não passavam filhos, não passavam amigos. Era como se ninguém que minha avó conhecesse estivesse à altura daquele cômodo. Acho que a sala só seria usada caso o presidente, viajando pelo norte do país, decidisse comer a gelatina de canela da minha avó. Ou se o papa resolvesse tirar umas férias lá do Vaticano e fosse ver a criação de passarinhos do meu avô. Nem o presidente nem o papa, no entanto, visitariam a minha avó. Entrava ano, saía ano, eu fui crescendo, fiquei maior que os anjos, deixei de ter medo deles – mentira, até hoje, se vou beber água de noite, aqui em casa, tenho medo de que um daqueles me apareça na escuridão... – meu avô morreu, minha avó foi ficando velhinha e os sofás ainda estão lá, cobertos pelos lençóis. As garrafas de cristal, vazias, nunca viram um só gota de uísque nem refletiram atores da novela das 8. Será que ela de fato esperava uma visita ilustre?!?!... Será que ela de fato esperava uma visita ilustre? Será ela acreditava que uma noite, sem aviso prévio, fosse tocar a campainha, ela abriria a porta e entrariam artistas de cinema, políticos, jornalistas influentes, jogadores, um cardume de celebridades? Ela então tiraria os lençóis, serviria uísque, acenderia as velas dos anjos e colocaria um antigo disco do Nelson Gonçalves para tocar. Enquanto os ilustres convidados brindassem e contassem histórias envolvendo iates, banquetes e castelos, ela ficaria sentada na sala de tevê, satisfeita, comeria uma gelatina e sua vida faria sentido. Como era triste a sala de visitas da minha avó. ...LÊ BRITO... “Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decorre sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.” (Willian Shakespeare)
Escrito por azul da cor do céu às 12h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
“AMAR É SER FIEL A QUEM NÓS TRAI.” (Nelson Rodrigues) É claro que devemos respeitar nossos sentimentos e ter cuidado com a qualidade das experiências que temos na vida. Como diz a expressão popular, não fomos “achados no lixo” e queremos ser bem tratados e bem-amados. Mas, na contabilidade do amor, não existem certezas e nem garantias. Os seres humanos são quase sempre complexos e inesperados, cada um com seus desejos e singularidades. Estamos sempre ao capricho de surpresas, intempéries, ainda mais quando se trata de personalidades díspares: numa relação, às vezes, 1 mais 1 é igual a zero! Ou seja, quem se permite apaixonar-se pode, sim, vir a sentir o gosto amargo da decepção e do sofrimento. Embora o criador da Psicanálise, o austríaco Sigmund Freud (1856-1939), tenha reconhecido que o sofrimento de amor é dos mais dilacerantes, cabe lembrar que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) dizia – numa tradução livre – que o que não mata fortalece. Fortes são aqueles que encaram as dores advindas do amor e não recuam diante de seus riscos; caso de decepcionem, dão a volta por cima e seguem em frente, sem deixar de aprender com a experiência, extraindo dela elementos para a educação sentimental. Mas há os que se dão tanta importância, e são tão orgulhosos, que não admitem a possibilidade de sofrer de novo por causa de um amor. Gente assim, aparentemente forte e decidida, capaz de dispensar a necessidade de convivência íntima, é na verdade frágil e cheia de orgulho vazio. Sua indiferença afetiva, mescla a um sentimento de triunfo sobre a banalidade do amor, na verdade esconde enorme vulnerabilidade diante da dor. Pode-se dizer que se sente grande demais para ficar exposta outra vez aos desencantos amorosos. Quanta presunção para só uma chance de existência que temos no mundo! Mas, também, aqui pra nós, o mundo em que vivemos hoje não favorece mesmo o cultivo do amor. Para amar, é preciso confiança e consistência. O espírito da atualidade, ao contrário, vem dando um álibi para os que se defendem do amor, vem criando um tipo de gente que se contenta com o gozo fácil, subtraído de integridade e do vínculo afetivo, estável e leal. Mas isso não vale para todos, ainda bem. Há, acredite, quem não tenha sido tatuado por este novo tempo que veio na esteira de uma economia neoliberal, sem regulações, que até já entrou em colapso! O mundo talvez mude daqui para a frente. É , mesmo que isso não ocorra, sempre haverá pessoas singulares, avessas à massificação, que querem correr os riscos do amor. Aos demais devemos lembrar que arrogância não é bom remédio para a decepção. Melhor negócio é trocá-la pela paciência, pela compreensão das causas feridas, minorar o cansaço das desilusões. Talvez seja necessária a mão de um psicanalista para escavar as raízes das más escolhas, admitir a cota da própria inadequação, conformar-se com o simples acaso da finitude ou dificuldade das relações. Talvez seja bom parar e pensar, como diz a música, que toda forma de amor pode valer a pena: o amor erótico e os outros; o amor ao cinema – como o cineasta espanhol Pedro Almodóvar (59) acaba de declamar, no pré-lançamento de seu filme Abrazos Rotos; o amor aos parentes e aos amigos; o amor à própria vida – afinal, desistir do amor é desistir um pouco dela. "Quando a gente se apaixona, não tem nenhuma garantia de que não vai sofrer uma decepção. Se isso ocorre, a maioria de nós cura as feridas, se levanta e vai em frente, aceitando os novos amores que porventura apareçam. Isso é ser forte. Desistir de amar para evitar as dores do amor é uma atitude de gente fraca e orgulhosa. Quem abre mão de amar abre mão da vida." ...LÊ BRITO... “TODO AMOR É ETERNO E, SE ACABA, NÃO ERA AMOR.” (Nelson Rodrigues)
Escrito por azul da cor do céu às 12h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Em cinco décadas de existência, Batman e Robin se tornaram ícones involuntários da cultura gay em todo mundo. Mas antes de qualquer bat-babado, a marca da dupla dinâmica é a ingenuidade e a heróica luta contra o mal. SANTA INGENUIDADE! ... Batman andava combatendo os bandidos das noites de Gotham City sem qualquer ajuda... Mas esse papo não é novo. A história caiu na boca do povo nos anos 50, com a publicação do livro Seduction of the innocents, do psiquiatra Frederic Wertham. Ele detonava a histórias em quadrinhos como perniciosa influência na juventude americana e acusa Batman e Robin de homossexualismo. Um escândalo. Mas vendo o sucesso desse personagem, cada vez maior ao longo de mais de 50 anos de existência (Batman é maricona, acredite, hahaha...), fica evidente que não comprometeu em nada a imagem do herói apesar de, tempos em tempos, as pessoas voltarem a se perguntar se Batman e Robin fazem algo mais nas sombras da batcaverna do que mostram os filmes, programas de TV e histórias em quadrinhos. Fazer de Batman e Robin um bem resolvido casal não foi a intenção de seu criador Bob Kane. Para começo de conversa, quando foi publicada a primeira história do vingador mascarado na revista Detective Comics, em maio de 1939, Robin não existia. Batman nasceu violento, sombrio, assustador e, sobretudo, solitário. Mas quadrinhos eram coisas de criança. E o Batman original não era dos personagens mais infantis. Para torna-lo mais interessante a esse público, decidiram dar-lhe um companheiro com quem leitores pudessem se identificar. Surgia Robin. Dick Grayson, o jovem órfão que o milionário Bruce Wayne protegia, e que acompanhava seu padrinho em suas jornadas pelo baixo mundo de Gotham City vestindo apenas uma malha colante colorida. Aquela época, porém, era muito ingênua. E colocar garotos vivendo aventuras junto com adultos era apenas um artifício manjado (Capitão América lutava contra os nazistas com seu companheirinho adolescente Bucky). Por isso ninguém estranhou nada quando, em fevereiro de 1940, Robin tornou-se parceiro oficial de Batman no combate ao crime. Será? ...LÊ BRITO... Que fim levou Robin? (Mauro Borges) Que fim Que fim Que fim levou Robin? Santa interrogação! Onde será que ele foi? Será que ele sumiu Ou será que ele assumiu? Ele foi abandonado E seu coração partiu E agora trabalha no McDonald’s do Brasil Que fim levou Robin? Gotham não é mais City Desde que ele se foi Dizem que quis mudar Numa clínica em Marrocos Pode ser que ele casou Pra esquecer a frustação No amor ou contra o crime Nunca envolva o coração Que fim levou Que fim levou Que fim levou Robin? Viver com um morcego Pode ser bem perigoso Ele era um menino-prodígio Mas carente como ninguém A solução é muita fria Pior viver numa caverna Mas hoje ele dança Numa famosa boate moderna.
Escrito por azul da cor do céu às 12h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Querido amor avassalador! Por que algumas pessoas, depois da conquista, desistem do conquistado? Há um elemento nas relações amorosas que merece análise, pois pode interferir no estabelecimento de uma parceria. Refiro-me à idéia de “conquista”. Nesse caso, a aproximação amorosa teria seu desfecho quando uma das partes se revelasse tão apaixonada que nada mais poderia negar ao amado. Estaria então realizada a conquista e o desvalorizado objeto de amor, agora à mercê do vitorioso, já pode ser abandonado. É a isso que dou o nome de “conquista”. Tem mais a ver com potência, auto-arfimação e vingança do que com ternura e afeto. Mas a conquista é impossível na ausência absoluta de afeto. Então, o que em geral mais encontramos é a mistura de desejo pelo outro com o prazer do triunfo. Como ocorre bastante, um olhar penetrante na infância nos guiará no nó labiríntico de sentimentos que constituem o amor. Destaco dois aspectos polares – a conquista e a aproximação mutua – de uma mistura complexa que é a atração erótica. Na primeira etapa de vida, o amor erótico vai surgindo e se consolidando no recebimento de ternura, leite, cuidados físicos e carinhos. Mais adiante, tendo já a criança adquirido uma inicial capacidade de discernimento, sente a mãe como conquistada; é uma mãe que pode ser manipulada para fornecer bens que, apesar da resistência materna, a criança deseja. Refiro-me a objetos aos quais a criança só tem acesso pela mãe, como roupas e guloseimas. Ela experimenta um poder sobre a mãe ao vencer sua relutância em fornecer tais objetos. Esse é o componente de conquista do amor infantil. A mãe que sabe exercer uma intimidade carinhosa, sabe e atender com critérios a parte das demandas materiais do filho, estará preparando um ser capaz de lidar com os contraditórios sentimentos da relação amorosa. Mães insensíveis, que não percebem as demandas de afeto do filho, mas atendem aos seus pedidos materiais, poderão criar uma conjuntura na qual a rejeição de intimidade com a conseqüente incompreensão afetiva convive com o sentimento de capacidade da criança de provocar comportamentos objetivos e obter artefatos. Para não se sentir rejeitada, a criança evita pedir afeto, concentrando-se naquilo que obtém pelo controle e manipulação da mãe: comportamentos objetivos e objetos materiais. A criança desiste da mãe afetiva. Isso, transportado para a idade adulta, resulta em conquistar e repudiar, usufruindo o parceiro por um tempo e abandonando-o antes que se concretizem os temores de se sentir incompreendido. A relação de afeto fica ofuscada pelas demandas objetivas e materiais exigir a toda hora novos objetos. E o parceiro, transformado em objeto, é trocado por outro antes que manifeste o seu presumido comportamento de insensibilidade. A relação se alicerça então na dominação, e não na compreensão. As dosagens de mutualidade e conquista em um relação dependem de como experiências passadas foram elaboradas e transformadas em modos de vinculação. O aspecto conquista poderá ter menos força que o aspecto compreensão. A relação poderá então se manter por tempo suficiente para que a experiência presente corrija as distorções do passado. O reconhecimento do uso da conquista como defesa contra a frustrante sensação de falta de intimidade facilitará a preservação e o desenvolvimento da relação. ...LÊ BRITO...
Escrito por azul da cor do céu às 12h40
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Para a Amada Imortal
Manhã de 6 de Julho
"Meu anjo, meu tudo, meu próprio ser – Hoje apenas algumas palavras a caneta (a tua caneta).
Só amanhã os meus alugueres estarão definidos – que desperdício de tempo....... por que sinto essa tristeza profunda se é a necessidade quem manda? Pode o teu amor resistir a todo sacrifício embora não exijamos tudo um do outro? Podes tu mudar o facto de que és completamente minha e eu completamente teu? Oh Deus! Olha para as belezas da natureza e conforta o teu coração. O amor exige tudo, assim sou como tu, e tu és comigo. Mas esqueces-te tão facilmente que eu vivo por ti e por mim. Se estivéssemos completamente unidos, tu sentirias essa dor assim como eu a sinto.
O meu dia foi terrível: ontem só cheguei aqui às 4 horas da manhã. Com a falta de cavalos, o cocheiro do correio escolheu um novo caminho, mas que terrível caminho, na penúltima paragem eu fui avisado para não viajar à noite, fiquei com medo da floresta, mas isso só me deixou mais ansioso - e eu estava errado. O cocheiro precisou parar na infeliz estrada, uma imprestável e barrenta estrada. Se eu estivesse sem todas as coisas que trago comigo teria ficado preso na estrada. Esterhazy, viajando pela estrada, teve o mesmo problema com oito cavalos que eu tive com quatro - sinto prazer com isso, como sempre sinto quando supero com sucesso as dificuldades.
Agora uma rápida mudança das coisas externas para as internas. Nós provavelmente devemos nos ver em breve, entretanto, hoje eu não posso dividir contigo os pensamentos que tive nos últimos dias sobre minha própria vida – Se os nossos corações estivessem sempre juntos, eu não teria nenhum.... O meu coração está cheio de coisas que eu gostaria de te dizer – ah – há momentos em que sinto que esse discurso é tão vazio – Alegra-te – Lembra-te da minha verdade, o meu único tesouro, o meu tudo como eu sou o teu. Os deuses devem-nos mandar paz... Teu fiel Ludwig
Segunda de tarde, 6 de Julho
Tu estás a sofrer minha criatura adorada – só agora percebi que as cartas deveriam ser enviadas nas segundas ou quintas de manhã cedo - os únicos dias nos quais o correio vai daqui para K. – Tu estás a sofrer – Ah, não importa onde eu esteja porque tu estás comigo – Vou arrumar tudo para que possamos viver juntos..... e que vida teremos!!! Assim!!!
Sem ti... perseguido pela bondade de algumas pessoas, que não quero receber porque não as mereço. Dói-me a humildade do homem diante do homem. E quando me acho em sintonia com o Universo, o que sou e quem é aquele a quem chamam o Todo Poderoso? E sem dúvida... aí então aparece de novo o divino do homem.
Choro ao pensar que provavelmente não receberás a minha primeira carta antes de sábado. Tanto como tu me amas, muito mais te amo!... Boa noite! Devo ir dormir. Oh, Deus! Tão perto! Tão longe! Não é o nosso amor uma verdadeira morada do céu? E tão sólido como as muralhas do céu?!
7 de Julho
Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam os meus pensamentos em ti, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho é-me possível, ou inteiramente contigo, ou completamente sem ti. Quero ir bem longe até que possa voar para os teus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar a minha alma ao reino dos espíritos envolta contigo. Tu concordarás comigo, tanto mais que conheces a minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca... Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim?
Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Tu, amor, tens-me feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz. Há muito tempo que preciso de uma certeza na minha vida. Não seria uma definição quanto ao nosso relacionamento?... Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias. E isso me faz pensar que tu receberás a carta em seguida.
Fica tranquila. Contemplando com confiança a nossa vida alcançaremos o nosso objectivo de vivermos juntos. Fica tranquila, queiras-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em ti... em ti... em ti, minha vida... meu tudo! Adeus... queiras-me sempre! Não duvides jamais do fiel coração de teu enamorado Ludwig. Eternamente teu, eternamente minha, eternamente nossos."
Beethoven
(foi o Beethoven que escreveu e não eu, risos...)
Escrito por azul da cor do céu às 12h36
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
URSULA VIBE “A BARBIE DIABA DOS OLHOS DE FOGO...” Um espectro de Bicha Barbie Ronda as cidades Os parques e boates Com feições de moça bela Porém sempre encontra a morte Quem olha a make up (no nariz) dela Quando mostra para as vítimas Sua make up verdadeira Tem fogo em lugar dos olhos E um rosto de caveira. Quando pega na neca de sua presa Mata da pior maneira... Uma longa túnica negra, Feito uma saia, ela arrasta. Então chamam de URSULA A esta Barbie nefasta Que ouvindo o galo cantar Ou vendo uma cruz se afasta. Certa tarde duas Bichas De suas casas saíram, Como tinham por costume, Ao centro partiram Pra caçar nas redondezas Pelo morro da luz subiram. Caminharam a tarde toda Até que o sol se escondeu Sem atender nenhuma caça Grande desânimo as venceu Pensaram em voltar pra casa, Porém logo escureceu. Pensou uma das Bichas caçadoras: - Que terá acontecido? Reina um silêncio esquisito Que não faz nenhum sentido E as bichas deste morro Parece até ter fugido. Sentadas esperando a caça Começaram a conversar Uma falou: - Ah! Minha amiga Quem dera estar em meu lar Ao invés dessa espera Um bofe a me esquentar A outra, uma senhora meio tátá, Tratou de a repreender: - amiga, não fale assim! ( e começou se benzer) Desse jeito você pede Pra URSULA aparecer. As duas ficaram escutando Com olhares bem atentos Embora nada enxergando De repente ouviram passos Vinha alguém se aproximando Logo em seguida uma luz Vem daquela direção Olhando lhes parecia Flutuar na escuridão E quando chegou mais perto Ficaram as duas fazendo carão. Perceberam uma visão Das mais impressionantes. Era uma Barbie escândalo De olhos negros, brilhantes, E as duas monas ficaram Mudas por alguns instantes. - Boa noite! – disse ela, E junto ao banco sentou Próximo da caçadora jovem Que a bicha se lembrou: - Só pode ser a URSULA!, A amiga meio tátá balbuciou. E o luar estava ausente Tudo na escuridão Mergulhava de repente, A noite o seu manto negro Estendeu completamente. Ouvido um ruído estranho Ficou atônita no banco Confusa, escutando, pausadamente. Estende a mão, curiosa, Inadvertidamente, Sente então algo sinistro, Líquido, pegajoso e quente. De um impulso a bicha caçadora Ergueu-se preocupada E ao virar-se deu de cara Com uma make up ultrapassada. Gritou a bicha tátá: - URSULA!!! Controlando a tremendeira Desesperada embrenhou-se Pelo mato a procura de carreira. Correu o morro da luz abaixo Sentindo mil calafrios A URSULA o perseguia Com sinistros assobios Soltando fogo dos olhos E longos urros sombrios. Cessou o som cavernoso Daquela Barbie diaba A sua make up horrenda Foi em cocaína TRANSformada E se TRANSmutando em nariz Desapareceu no nada. FIM ...LÊ BRITO...
Escrito por azul da cor do céu às 12h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
 |
| [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |